As matas do Maciço do Mendanha começaram a sofrer pressões antrópicas ainda no século XVII, pois em 1603 as terras da região foram concedidas como sesmarias a Manoel Gomes e Diogo Montarois que nelas plantaram canaviais, abriram caminhos e construíram engenhos de açúcar.

Registros do século passado assinalam a presença de cafezais, um prédio assobradado, animais, escravos e engenhos pertencentes às fazendas Espírito Santo e Mata-Fome que, quando compradas pelo Conde Modesto Leal, em 1916, tinham os nomes de fazenda Dona Eugênia e São Felipe.

Verificou-se a utilização da madeira Tapinhoã na execução de elementos construtivos da sede da Fazenda Dona Eugênia, remetendo à provável existência dessa espécie na região. Trata-se de madeira duríssima, incorruptível e rara. Era utilizada em substituição ao carvalho europeu, no reparo das embarcações portuguesas que aqui chegavam danificadas pelas tormentas. Por sua importância, o corte da madeira era reservado à Coroa Portuguesa.

A cultura do café perdurou até fins do século XIX, quando o uso destes espaços, predominantemente agrícola, reorienta-se no sentido da rápida urbanização. A chegada a Bangu do Ramal Santa Cruz da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1890, e a implantação da fábrica da Companhia Progresso Industrial do Brasil, em 1893, são marcos do processo de estruturação urbana.

A Fábrica Bangu, como ficou conhecida, além de ampla disponibilidade de terras baratas para suas instalações, necessitava de um grande número de trabalhadores residindo próximo ao local de trabalho. Para isso, adquiriu três grandes fazendas, onde se estabeleceram as vilas de técnicos e operários da fábrica, que deram início ao surgimento do populoso bairro de Bangu.

A necessidade de captação d’água levou a fábrica a construir um reservatório na Serra do Mendanha, acompanhado de um aqueduto. Este reservatório ficou conhecido como “Caixinha” e se transformou em ponto de referência do Maciço para os habitantes da região. A “Caixinha” foi durante muito tempo utilizada como área de lazer para os dirigentes da Fábrica Bangu, pelas belezas naturais do local.

No início do século XX, Bangu já contava com 6.000 habitantes. Ao longo deste século, o parcelamento foi intensificado. A ligação com o Centro pela via ferroviária, somada à construção da antiga Estrada Rio-São Paulo, em 1930, e da Avenida Brasil (esta, em 1946) propiciou à região uma melhoria de acessibilidade que para lá atraiu uma população que não tinha condições de arcar com os custos da habitação em áreas mais próximas ao Centro.

Desta forma, a partir de meados do século XX intensificou-se a ocupação da Zona Oeste da cidade. Esta ocupação foi em parte impulsionada pelo Poder Público, principalmente através da construção de conjuntos habitacionais destinados aos moradores de favelas removidas da Zona Sul, e em parte pelos investidores imobiliários através da implantação de loteamentos clandestinos e irregulares, resultantes do fracionamento de glebas de antigas fazendas, que se tornaram a principal forma de produção de moradias nesta área da cidade. A implantação dos loteamentos teve como característica a precariedade no tocante à dotação de infra-estrutura, o baixo nível de renda dos ocupantes e um alto grau de degradação do meio ambiente a exemplo de outras áreas da cidade.

A urbanização torna-se, então, responsável pelo aumento da pressão antrópica sobre os já degradados ecossistemas locais que, desde os ciclos agrícolas do Brasil colonial, vinham sofrendo suas conseqüências negativas, apesar da existência de algumas medidas preservacionistas (em geral atentando para a escassez dos recursos hídricos na cidade), que repercutiram no Maciço do Mendanha e nas demais serras da região.
A criação do Parque Natural Municipal do Mendanha veio de encontro ao interesse da antiga proprietária dos terrenos, a Companhia Bangu de Desenvolvimento e Participações, que, há mais de 100 anos, possuía uma gleba de 6.500.000m2, conhecida como Floresta do Mendanha. Ao longo deste século, a Cia. Bangu impediu a ocupação em sua propriedade, possibilitando a preservação da maior reserva de mata primária da cidade.

Um outro fator que levou à adesão da Fábrica Bangu ao movimento pela criação do Parque foi sua situação financeira, marcada, no início da década de 90, por dívidas e hipotecas de seus pertences. Por este motivo, pretendia vender a sua propriedade à Prefeitura. Em 1995 iniciaram-se as negociações com o Município, por meio de operação triangular envolvendo também o Banco do Brasil, a quem a Fábrica havia hipotecado os terrenos. Segundo esta proposta, o Banco do Brasil havia se comprometido de receber, como forma de pagamento, a área do Parque e de vendê-la, pelo mesmo valor, ao Município do Rio de Janeiro, que pagaria na forma de créditos a serem abatidos dos valores de Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU, recolhidos nos anos seguintes.

Os proprietários da Fábrica Bangu abriram então seus portões, permitindo e incentivando a visita de políticos e líderes comunitários, promovendo caminhadas com grupos ecológicos e protetores do meio ambiente, convidando autoridades interessadas na criação do Parque, como forma de angariar apoio à sua criação.
Até meados do ano de 1997, a situação de aquisição da parte da Fábrica Bangu incluída na delimitação legal do Parque Ecológico do Mendanha, não havia sido resolvida. Em 2001 essa área foi adquirida pelo Município para implantação do Parque.

Fonte: http://www.institutoiguacu.com.br/Parques/mendanha.htm