As terras que iam do atual bairro de Deodoro, passavam por Bangu e iam até Cosmos, faziam parte das paragens conhecidas como o “Campo Grande”. A região, que ia do rio da Prata ao Mendanha, era habitada pelos índios Picinguaba. Após a fundação da Cidade em 1565, passou a pertencer à grande Sesmaria de Irajá. Desmembrada em 1673, a área foi doada, pelo Governo Colonial, a Manoel Barcelos Domingos, dono de vasta propriedade que se estendia até o Gericinó.

Em 1757, foi criada a freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, onde foi construída a Igreja Matriz, ainda existente.

Na região, as atividades principais eram o cultivo da cana-de-açúcar e a criação do gado bovino. Os produtos eram escoados pela Estrada Real de Santa Cruz, que ia até São Cristóvão.

Entre 1760 e 1770, na antiga fazenda do Mendanha, o padre Antonio Couto da Fonseca plantou as primeiras mudas de café que alavancaram o desenvolvimento da cultura cafeeira por todo o Vale do Paraíba, até Minas Gerais. Os povoados, neste período, ficavam restritos às proximidades dos engenhos e fazendas, entre os quais se destacam: Juary, rio da Prata, Cabuçu, Santo Antonio do Juary, Tingui, Campinho, Guandu, Mendanha, Capoeiras, do Pedregoso, Dona Maria, Marcolino da Costa e Sant´Ana.

A partir da segunda metade do século XIX, com a implantação da E. F. Dom Pedro II, foi construída a estação de Campo Grande, inaugurada em 2 de dezembro de 1879, que muito contribuiu para o adensamento do núcleo urbano do bairro, pois facilitava o acesso ao Centro da Cidade.

Em 1894, a Cia de Carris Urbanos ganhou a concessão para explorar linha de bondes a tração animal, alcançando localidades mais distantes. Em 1915, foram implantados os bondes elétricos, aumentando a ocupação da área e estimulando um intenso comércio interno.

Com a decadência da cultura do café, a região voltou-se para a citricultura. Dos primeiros anos do século XX até a década de 1940, Campo Grande foi considerada uma grande região produtora de laranjas, o que lhe rendeu o nome de “citrolândia”.
Na década de 1930, durante o governo de Washington Luis, a Estrada Real de Santa Cruz foi incorporada à antiga estrada Rio-São Paulo, integrando Campo Grande ao tecido urbano da Cidade.

Na década de 60, no governo de Carlos Lacerda, a Avenida Brasil, aberta em 1946, atingiria Campo Grande. A partir daí, surgiu o Distrito Industrial de Campo Grande e a indústria de pneus Michelin, que deram novo perfil à região, antes agrícola. Grandes loteamentos foram implantados ao longo dos eixos formados pelas estradas do Cabuçu, do Pré, do Monteiro, da Cachamorra, do Campinho, do Pedregoso, de Sete Riachos, do Mendanha e da Posse. Destacam-se: Santa Margarida, Corcundinha, Vila Palmares, Vila Iêda, Adriana, Pedra Angular, Santa Maria, Jardim Paulista, Vila Santa Rita, Arnaldo Eugênio, Vila Jardim Campo Grande, Hortências, Diana, São Jorge, Morada do Campo, Jardim Monteiro e Nova Guaratiba.

O núcleo original do bairro tornou-se importante centro comercial, com destaque para a rua Cel. Agostinho (Calçadão), próximo à estação ferroviária e ao terminal de ônibus, mas ainda há bolsões agrícolas nas regiões da Serrinha, do Mendanha e do rio da Prata. Merece destaque a Serra do Mendanha, com sua reserva florestal e cachoeiras e o Parque Estadual da Pedra Branca, com trilhas apropriadas ao ecoturismo, que dão acesso ao ponto culminante do Município, o Pico da Pedra Branca, com 1025 metros de altitude.

Fonte: http://portalgeo.rio.rj.gov.br